domingo, 12 de fevereiro de 2012
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Voltei… deixando o coração para trás…
Nunca é fácil escolher entre o que é preciso e o que é desejado, entre a necessidade e a felicidade… e desta vez o dever falou mais alto. Volto iludida para uma casa que não sinto como um lar, para um país que me acolhe mas com o qual não me identifico e para um povo que já conheço mas que não é o meu. Mas apesar deste meu sentimento…
Acordo sempre cedo na fazenda. A luz entra pela janela a partir das 6 e 30 da manhã e a natureza ruidosa faz com que não consiga permanecer na cama. Hoje é sexta-feira e estou contente com a perspectiva de mais tarde voltar a Dili, pois aí poderei conectar-me ao mundo de redes e falar com quem sinto falta. Mais um dia… troco-me para a roupa de mato e tomo o matabicho na varanda olhando a paisagem. Esta terra que não é a minha tem os seus encantos… Na verdade, fico até comovida com a beleza que me rodeia. No alto da montanha vejo os montes, cortados pelas ribeiras, que rodeiam a fazenda, as albizzias em flor a sombrearem o café e a bruma alojada perto das copas. Entrego-me a este meu momento de paz sendo somente interrompida pelo som dos pássaros e das cigarras que vão penetrando o meu pasmo perante o que vejo. Mais um dia…
domingo, 16 de janeiro de 2011
“Até para o ano “
Foi com esta frase com que há cerca de 11 meses me despedi dos meus irmãos. Ainda tenho marcado na memória o nervosismo daquele dia quando, com um sorriso que não me chegou aos olhos, me afastei para apanhar o voo. Agora prestes a regressar parece que passou uma eternidade. Portugal com a sua crise esteve distante, o meu corpo esqueceu-se do que é ter frio e de repente a volta a casa torna-se no regresso a uma realidade que deixou temporariamente de ser a minha. Ver os mesmos lugares depois de ver tantas outras coisas cria uma emoção antagónica de alegria e pertença e de desejo de tornar a partir.
Encontro-me nos meus últimos dias do contracto e os olhares tristes das pessoas que vêm alguém partir são como os que vi há um ano atrás. Foi bom… Apesar de alguns contratempos, acarinho os bons momentos que levo daqui e é com saudade que parto. Timor, hau fila fali.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
O dia em que te darei um abraço
Hoje foi demais! Saio de manhã e vou para o escritório de Caicoli para enviar uns documentos por email para Portugal, atrasados já duas semanas. Não percebo… a caixa de correio devolve a mensagem, logo não sendo entregue. De seguida tento concorrer a um trabalho e ocorre um erro durante a candidatura online, ficando sem efeito uma hora de esforço. Pois bem, decido ir almoçar, pois o dia não está a correr muito bem, e o carro não pega. “Bateria” dizem, mas desta vez nem de empurrão. Espero pela minha colega e vou de machibombo. Pela tarde, uma vez que não tenho carro, apanho táxi para o escritório de Comoro, devido à necessidade de falar com o meu chefe, mas há um corte de luz e ele não aparece. Bonito… Agora nem trabalhar posso, mas ao menos não fui a pessoa a levar um soco de um condutor descontente por ter sido despedido. Isto já está a ser demais!” Meus amigos, vou para casa…” Novamente de táxi.
Há dias em que não deveríamos sair da cama. Ocorrem uma série de situações que fazem pensar que o mundo está do “contra”, levando a um desânimo geral onde o único escape é sonhar. E sonho de olhos abertos… Espero o dia, imagino-o e desejo esse momento.
Não importa o quão distante estou… ou sou, tu sabes... Até breve?
Há dias em que não deveríamos sair da cama. Ocorrem uma série de situações que fazem pensar que o mundo está do “contra”, levando a um desânimo geral onde o único escape é sonhar. E sonho de olhos abertos… Espero o dia, imagino-o e desejo esse momento.
Não importa o quão distante estou… ou sou, tu sabes... Até breve?
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Partying… numa Mikrolete
Numa noite como outra qualquer, estou em frente ao computador e alguém bate à porta...
“Em 10 minutos passamos por aqui para vires connosco jantar. Veste-te de branco.” O quê? Como? Diz lá outra vez? Ok, ok, vou-me mudar. Peço uma camisa branca emprestada, lá desencanto umas calças e vou com eles. À porta da minha casa estava aquilo que eu não estava à espera. Uma Mikrolete branca que emanava do seu interior uma luz azul e vermelha com uns autocolantes a cobrir parte da brancura a dizerem tudo e nada. E assim partimos pelas ruas de Dili… partilhando o espaço com os meus amigos, ao som de uma boa música e uma bebida na mão. Suponho que são estas loucuras que dão um colorido à vida…
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
“Flexível”
A campanha começa com a urgência necessária. Estamos atrasados 3 meses nas nossas actividades e sentimos a pressão de termos que acelerar os processos. Para esta campanha em particular realizaremos tudo numa semana. O plano está feito, a logística tratada e as equipas preparadas para entrarem em acção.
Encontramo-nos em Turiscai, já a meio da manhã. Apesar das horas aceitamos o café oferecido pelo administrador de sub distrito e discutimos o percurso do dia. Entre risos e disparates, ao falar com as inúmeras pessoas presentes apercebo-me que o plano do dia tem grandes falhas. As minhas duas aldeias a visitar encontram-se demasiado longe, sendo preciso um dia inteiro só para uma delas. À mesa, com a chávena de café na mão, João olha para mim e diz: “Mana, lae iha problema. Mana ba Mindelo no toba ne’e ba.” Dormir lá… desta não estava à espera… Mas o meu plano? É preciso cumpri-lo, a população está à espera… “Hau telefone no troca loron.” Trocar o dia das visitas. Isso vai atrasar a campanha… E é então que João remata no seu sorriso mais maroto: ”Flexível, flexível mana, tenki flexível”. A gargalhada é geral. Todos estão solidários com a árdua tarefa que me aguarda, num misto de preocupação e de expectativa, mas parto resignada para as quatro horas de caminhada até ao meu poiso daquela noite.
Encontramo-nos em Turiscai, já a meio da manhã. Apesar das horas aceitamos o café oferecido pelo administrador de sub distrito e discutimos o percurso do dia. Entre risos e disparates, ao falar com as inúmeras pessoas presentes apercebo-me que o plano do dia tem grandes falhas. As minhas duas aldeias a visitar encontram-se demasiado longe, sendo preciso um dia inteiro só para uma delas. À mesa, com a chávena de café na mão, João olha para mim e diz: “Mana, lae iha problema. Mana ba Mindelo no toba ne’e ba.” Dormir lá… desta não estava à espera… Mas o meu plano? É preciso cumpri-lo, a população está à espera… “Hau telefone no troca loron.” Trocar o dia das visitas. Isso vai atrasar a campanha… E é então que João remata no seu sorriso mais maroto: ”Flexível, flexível mana, tenki flexível”. A gargalhada é geral. Todos estão solidários com a árdua tarefa que me aguarda, num misto de preocupação e de expectativa, mas parto resignada para as quatro horas de caminhada até ao meu poiso daquela noite.
O que vejo…

…e que gostaria que visses também. Na fronteira dos meus medos, de cada vez que coloco um pezinho lá fora sou surpreendida com um mundo que se apresenta fascinante e desconhecido. Acompanhas-me?
No início da viagem concentro-me em seguir o guia por caminhos sinuosos e cheios de obstáculos e espero que tudo corra bem. Molho-me ao atravessar as ribeiras e sinto o frio a percorrer o meu corpo também por receio da corrente que me puxa as pernas. Sentindo de novo o conforto das botas nos pés, começo a subida até ao meu destino. O avanço é lento, começo a ter sede, a respiração fica mais pesada e o calor só é apaziguado com os esporádicos chuviscos que lavam o suor do meu rosto. São horas neste compasso, deparando-me ocasionalmente com pequenas povoações e cruzando-me com pessoas que apesar de descalças de confortos e luxos partilham um sorriso comigo, estando eu tão longe do meu meio. Sorrio em retorno, exagerando no cumprimento do “Bom dia”. As montanhas no meio das nuvens são esmagadoras e sinto-me mesmo pequenina. Repito para mim que tenho muita sorte, de como sou privilegiada e não sei porquê penso em ti, olhando para a paisagem que me rodeia e que me deixa fascinada.
Não posso dar-te o que gostaria… Partilho contigo as minhas aventuras, ofereço-te as minhas palavras, não podendo no entanto partilhar os meus olhos.
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